segunda-feira, 18 de maio de 2015

Resenha: "Olho de boto"

"E o tajá fez tudo que Inajacy queria com o objetivo de sua conquista, Inajá, que ficou caidinho por sua Tamba-Tajá que é como se sentia Inajacy, ainda sem a sua concha totalmente no ponto sua mutamba, sua tamba que, ao atrair o encantamento do tajá parta os fins premeditados, passou a Inajacy que foi - conta-se, imaginando ter acontecido, pois era muito broto, verde, criança - virando fêmea lentamente e quase sem dar fé viu formosa garota com peito brotando refletido na água da chuca, do rio, na folha do tajá, da bananeira, da canela, na água molhada do orvalho na costa da folha da espada de São Jorge, da papoula e ao verter sangue pela vez primeira a maré começou o processo inverso e enquanto o corpo mutava pro lado masculino, Inajacy se via toda mulher, e as demais pessoas, homem comum, normal, um jovem rapaz..." 


"Olho de boto" é um livro nacional, teve seu lançamento em Belém no dia 06 de maio de 2015 e foi escrito pelo autor, jornalista e advogado Salomão Laredo. 

O livro conta a história de um casamento homossexual ocorrido no interior da Amazônia nos anos 60, mas de uma maneira completamente diferente. 

A história se passa no vilarejo de Inacha, localizada na comunidade de Juaba, no município de Cametá, no nordeste do Pará. Inajá e Inajacy, o casal protagonista, pedem a um pajé que transforme um deles em mulher para que possam efetivar a união matrimonial.

A obra é composta de situações escabrosas, inventadas ou superestimadas e um pouco incoerentes, mas a intenção do livro seria abordar não apenas o tema da homoafetividade, como também questões sócio-politicas.

Eu acredito que o livro se trata disso, mas de uma forma de difícil compreensão. O vocabulário é bem complicado e tive que pegar o dicionário diversas vezes para me situar na informação transmitida por determinada frase.

"Olho de boto" foge completamente do meu estilo de gênero literário, na verdade ele é contrário ao que a maioria dos adolescentes e jovens adultos leem atualmente, a obra é um livro nacional folclórico, e por isso aceitei o desafio, não de começar a leitura, mas de concluí-la. Esperava que ele tirasse a minha impressão de que esses gêneros literários são um bocado enfadonhos, ou num linguajar mais popular,  chatos, mas infelizmente, ele não conseguiu me surpreender, ou até mesmo me agradar.  A quantidade de personagens é tão grande e em situações tão confusas que muitas vezes acabei perdendo a linha do raciocínio na cronologia das suas atitudes e fiquei mais perdida ainda nas diversas referências históricas que o livro contém, isso sem mencionar a dificuldade de compreender um parágrafo sem precisar consultar um dicionário.

O tema ao qual o livro quer retratar é polêmico e muito vantajoso para chamar a atenção do leitor. mas a forma como ele é retratado, a forma como as informação são transmitidas não consegue prender o leitor até o final com a mesma vontade que iniciou.

Como conclusão final, experimente a leitura se você estiver realmente interessado no gênero literário que ele representa, se não, acabará ficando com a leitura pelo caminho. E caso tenha se interessado e principalmente, queira aceitar esse desafio, deixe nos comentários sua opinião, discutir sobre livros é sempre bem vindo aqui no Epílogos e Prólogos.